Empresas brasileiras sofrem impactos significativos por atos ilícitos
A indústria brasileira está enfrentando um problema sério: atos ilícitos estão afetando um terço das empresas industriais do país. De acordo com uma recente sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas anuais podem chegar a R$ 39 bilhões. Isso é um número alarmante, especialmente considerando que a maioria das empresas afetadas são pequenas e médias.
Segundo o estudo, 31% das empresas relataram prejuízos provocados por práticas ilegais como contrabando, descaminho, contrafação, não conformidade técnica e crimes patrimoniais. O impacto foi maior entre as médias e grandes empresas, atingindo 32% e 33% delas, respectivamente, enquanto entre as pequenas o percentual ficou em 25%. Apesar disso, as pequenas e médias empresas sofrem impactos mais severos sobre o faturamento, com perdas equivalentes a 0,6% e 0,8% da receita líquida anual, respectivamente.
O gerente de Competitividade da CNI, Alexandre de Queiroz Stein, explica que as pequenas empresas apresentam maior vulnerabilidade diante da ilegalidade justamente por elas disporem de menos recursos para se prevenir contra crimes, realizar monitoramento e até mesmo dar resposta aos riscos que favorecem essas ocorrências.
Roubo de carga lidera crimes contra a indústria
O roubo de carga é o ato ilícito mais recorrente, afetando 32% das empresas. No estado do Rio de Janeiro, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estimou um prejuízo de R$ 314 milhões em 2025, com média de oito caminhões atacados por dia. A não conformidade de produtos com regulamentações técnicas é o segundo problema mais citado pelas empresas, apontada por 29% dos entrevistados.
Stein ressalta que a comercialização e o uso de produtos fora das regulamentações técnicas representam riscos não apenas para as empresas, mas para toda a sociedade, com impactos sobre a segurança do consumidor e a economia. Empresas que, ilegalmente, não estão de acordo com as regulamentações técnicas estão se valendo de uma prática de concorrência desleal, pois as empresas que estão dentro da legalidade fazem uma série de investimentos, por exemplo, em laboratórios, testes e certificações.
Custos com prevenção superam perdas causadas pelo crime
O levantamento mostra que a prevenção contra os atos ilícitos custa mais do que o crime. As despesas da indústria com segurança patrimonial e cibernética equivalem a 1,1% da receita líquida das empresas, totalizando R$ 68,5 bilhões. O valor supera os R$ 39,1 bilhões em prejuízos diretos causados pelos atos ilícitos. A sondagem da entidade mostra que o comércio eletrônico já é o segundo principal canal de venda de produtos ilícitos e que muitas empresas sequer conseguem identificar em quais plataformas esses produtos estão sendo comercializados.
Fiscalização é apontada como principal medida de combate
Para 77% das empresas entrevistadas, ampliar a fiscalização e o controle é a medida mais importante para combater os efeitos da ilegalidade, enquanto 46% também acreditam que investimentos em inteligência podem aumentar a eficácia no enfrentamento ao crime e 36% defendem o endurecimento da legislação. A pesquisa também aponta que 41% das empresas consideram que os órgãos estaduais de segurança pública — como as polícias Civil e Militar — são os que mais precisam de fortalecimento, devido à forte atuação do crime em mercados locais e vias de transporte.




