Consumo Consciente: Brasileiros Resistem a Produtos Reciclados, Mas Existem Sinais de Mudança (sexta-feira, 05) - Agita Recife

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Consumo Consciente: Brasileiros Resistem a Produtos Reciclados, Mas Existem Sinais de Mudança (sexta-feira, 05)

Consumo consciente ainda enfrenta falta de informação

Os brasileiros têm uma boa percepção sobre a importância da sustentabilidade, mas ainda demonstram resistência na hora de comprar produtos reciclados. Isso é o que aponta uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a percepção da população em relação à economia circular. Embora 72% da população veja de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, 43% afirmam evitar adquirir produtos reciclados, independentemente do preço.

Entre as principais razões para essa resistência, 34% dizem preferir produtos novos e 30% relatam dúvidas sobre a qualidade e a durabilidade dos itens reciclados. O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, afirma que transformar a boa percepção sobre sustentabilidade em decisões efetivas de compra passa por superar barreiras relacionadas à confiança e ao custo dos produtos.

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“Sabemos que quando os produtos reciclados têm preços competitivos, qualidade comprovada e uma comunicação efetiva e clara sobre os seus benefícios, a tendência é que a intenção positiva se converta em decisão de compra. Existe, dessa forma, uma propensão maior ao consumidor adquirir esse produto reciclado”, afirma.

Segundo a pesquisa, apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito de economia circular. Além disso, 60% acreditam que a principal responsabilidade por evitar a contaminação ambiental causada por produtos é das prefeituras. Apenas 14% atribuem esse papel à indústria, enquanto 12% apontam o governo federal.

Marco regulatório é visto como peça-chave

Para a CNI, a consolidação da economia circular também depende de um ambiente regulatório capaz de oferecer segurança jurídica e incentivar investimentos em inovação e sustentabilidade. A entidade defende a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1.874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Segundo a confederação, a proposta pode ampliar a competitividade da indústria brasileira, estimular investimentos e fortalecer práticas sustentáveis de produção e consumo.

Segundo Bomtempo, o texto prevê instrumentos que ajudam a enfrentar obstáculos identificados pela própria pesquisa, como a falta de tecnologias e as altas taxas de juros. “O PL traz alguns instrumentos — como, por exemplo, o financiamento à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e o estímulo às compras públicas sustentáveis — e amplia a demanda por produtos circulares, além de incorporar ações de educação para o consumo sustentável”, afirma.

Atualmente, o PL 1.874/2022 aguarda análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. A aprovação desse projeto seria um passo importante para consolidar a economia circular no Brasil e incentivar a produção e o consumo sustentáveis.

É importante notar que a economia circular é um modelo que prioriza a reutilização, o reparo e a reciclagem de materiais, e que pode ser uma solução eficaz para reduzir a quantidade de resíduos e minimizar o impacto ambiental das atividades humanas. A consolidação da economia circular no Brasil depende da colaboração entre o setor público, o setor privado e a sociedade civil, e exige a implementação de políticas públicas e iniciativas privadas que incentivem a produção e o consumo sustentáveis.

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