Federação da Agricultura do Paraná denuncia embargo da União Europeia e pede celeridade para solucionar o problema (9 de junho)
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep) está em alerta máximo para evitar que os produtos de origem animal brasileiros sejam embargados pela União Europeia (UE). A entidade paranaense entregou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil na última terça-feira (9) para cobrar celeridade máxima no envio de informações à UE que comprovem os rigorosos padrões sanitários da pecuária brasileira.
Segundo Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep, o embargo anunciado pela UE não condiz com o real status sanitário da pecuária nacional e estadual, inclusive com o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação. “O sistema FAEP vê com grande preocupação o fechamento do mercado de proteína para o Brasil e o Paraná. O Paraná conta com os estados sanitários de excelência e pode comprovar que pode enviar a sua carne para a União Europeia”, afirmou.
O Paraná é um dos principais produtores e exportadores de carne de frango, ovos e material genético de animais no país. A restrição atinge bovinos, aves, equídeos, peixes da aquicultura, mel e tripas, e em 2025, as vendas dessas proteínas para a UE geraram receita de US$ 1,8 bilhão, do total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para o bloco.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), garante que o Brasil já cumpre com as exigências do mercado europeu, mas que o governo precisa agora comprovar a fiscalização. “Nossa produção de carne de frango é totalmente rastreada, tem traçabilidade em todo o seu processo de produção e essas drogas não são utilizadas na produção de frango que são exportados para a União Europeia. Também não são na carne bovina. Nós já cumprimos os requisitos e não há qualquer violação ou problema sanitário com as carnes brasileiras”, frisou.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) ressaltou que colabora com as autoridades brasileiras e pontuou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, baseado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo, condição que permite exportar para mais de 170 países.
O assunto é tratado como prioridade nos ministérios responsáveis, como o das Relações Exteriores (MRE) e o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que já realizam reuniões e negociações para tentar impedir a implementação da barreira comercial. Uma missão europeia ao Brasil está prevista nos próximos meses para avanço e conclusão das conversas, motivado inclusive pela finalização do acordo com o Mercosul.
A situação é considerada preocupante pelo setor agrícola brasileiro, que teme perder uma das principais fontes de receita. “É fundamental que o governo brasileiro faça todo o possível para evitar o embargo e garantir a liberdade de comércio dos produtos de origem animal”, enfatizou Ágide Eduardo Meneguette.




