Estudo destaca potencial da pecuária brasileira em reduzir emissões sem comprometer produção
Um estudo apresentado pelo Brasil na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, revelou que a pecuária de corte nacional pode reduzir significativamente suas emissões de gases de efeito estufa até 2050 sem comprometer os níveis de produção. O levantamento foi desenvolvido pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) e apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e a Missão do Brasil em Roma, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).
De acordo com o estudo, a pecuária brasileira pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 60% até 2050, ao mesmo tempo em que mantém a oferta de carne bovina em patamares elevados. Isso se deve ao uso de tecnologias aplicadas à produção pecuária, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que permite a rotação de culturas e a preservação de pastagens degradadas.
ILPF: um dos diferenciais da produção brasileira
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, destacou a importância da ILPF como um dos diferenciais da produção brasileira. “O que o Brasil faz de diferente é que, na mesma área da pastagem pro boi, fazemos uma rotação com lavoura e floresta na mesma propriedade. Isso só o Brasil tem. Já estamos com cerca de 17 milhões de hectares com algum tipo de produção integrada, e o grande benefício é que esse sistema otimiza a terra e reduz a pegada de carbono de forma definitiva”, explicou.
Estudo apresentado em contexto de redução dos rebanhos bovinos em regiões produtoras
O estudo foi apresentado em um contexto de redução dos rebanhos bovinos em importantes regiões produtoras. Segundo os dados apresentados pela ApexBrasil, os três blocos que concentram cerca de 70% do rebanho mundial registram retração: o Mercosul opera no menor nível dos últimos seis anos, a América do Norte possui o menor rebanho em sete décadas e a União Europeia registra o menor volume em trinta anos. No entanto, o Brasil encerrou 2024 com o maior rebanho comercial do mundo, somando 192,6 milhões de cabeças.
Conclusão
O estudo apresentado pelo Brasil na FAO destaca a potencialidade da pecuária brasileira em reduzir emissões de gases de efeito estufa sem comprometer a produção. A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é um dos diferenciais da produção brasileira e pode ser uma ferramenta importante para a redução da pegada de carbono do setor. Além disso, a apresentação do estudo na FAO reforça a posição do Brasil como fornecedor relevante de alimentos e evidencia os avanços da pecuária nacional na agenda climática.




