Suspensão imediata das exportações
A partir de quinta-feira, 3, o Brasil suspende a exportação de carne de frango, bovina e suína, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos para a União Europeia (UE). A medida responde à legislação europeia que limita o uso de certos antimicrobianos na produção animal, exigindo maior controle sobre antibióticos.
Em 2025, a UE importou US$ 1,8 bilhão em produtos de origem animal do Brasil, correspondendo a 368,1 mil toneladas, segundo o Agrostat – Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro.
No setor de frango, a suspensão deverá ser revertida em novembro, após a auditoria europeia. Até lá, as perdas podem chegar a aproximadamente US$ 243 milhões, considerando a média mensal exportada ao bloco neste ano, de US$ 97,136 milhões.
Principais estados exportadores de carne de frango em 2025
- Paraná — 2.103.688 toneladas (40,76%)
- Santa Catarina — 1.201.818 toneladas (23,28%)
- Rio Grande do Sul — 686.359 toneladas (13,30%)
- São Paulo — 330.828 toneladas (6,41%)
- Goiás — 272.908 toneladas (5,29%)
- Minas Gerais — 199.637 toneladas (3,87%)
- Mato Grosso do Sul — 178.244 toneladas (3,45%)
- Mato Grosso — 99.639 toneladas (1,93%)
- Distrito Federal — 75.241 toneladas (1,46%)
- Espírito Santo — 3.354 toneladas (0,06%)
Carne bovina
Para a carne bovina, o Brasil pode deixar de exportar cerca de US$ 1,828 bilhão entre setembro deste ano e julho de 2028, período necessário para a cadeia se adaptar às novas exigências de controle de antimicrobianos. Esse valor reflete a média mensal de embarques registrada em 2026.
O professor de Agronegócio Global do Insper, Marcos Jank, observa que o impacto da suspensão sobre as exportações brasileiras pode ser limitado, pois a UE representa um mercado menor em comparação com a China. Em 2025, o Brasil exportou 4.529.156 toneladas de carne bovina, das quais 2.143.058 foram destinadas à China e 231.456 à UE.
“Na Europa, os preços são mais altos devido aos diferentes segmentos atendidos, mas os volumes são restritos por cotas”, destaca Jank. Ele também aponta a abertura de uma cota de três meses nos EUA para 300 mil toneladas de carne bovina do Brasil e Paraguai como alternativa de redirecionamento.
Principais estados exportadores de carne bovina em 2025
- Mato Grosso — 822.920 toneladas
- São Paulo — 697.145 toneladas
- Goiás — 431.837 toneladas
- Mato Grosso do Sul — 386.259 toneladas
- Rondônia — 312.878 toneladas
- Minas Gerais — 274.884 toneladas
- Pará — 242.910 toneladas
- Tocantins — 137.086 toneladas
- Rio Grande do Sul — 96.515 toneladas
- Paraná — 46.819 toneladas
Impacto no mercado interno
O economista José Luis Oreiro, da UnB, alerta que a restrição europeia pode pressionar à queda os preços de frango e bovino no Brasil. O redirecionamento de mais de 100 mil toneladas de carne bovina e 230 mil de frango para o mercado interno aumentará a oferta disponível, pressionando as margens dos frigoríficos e potencialmente reduzindo preços nos supermercados.
Celso Figueiredo, da Barral Parente Pinheiro Advogados, tem uma visão mais otimista: a suspensão não deve gerar impacto significativo nos preços domésticos, pois a participação da UE nas exportações brasileiras é relativamente pequena e existem outros mercados compradores.
Expectativa de retomada das exportações
Desde 1º de julho, o Brasil adotou novos procedimentos de controle do uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas. Em 31 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitando a reinclusão do país na lista de fornecedores de frango e mel antes da conclusão das auditorias.
Para frango e mel, a exclusão pode ser revertida em novembro, após a auditor




