Introdução
Na última quinta-feira (3), a Datafolha divulgou os resultados de sua pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2026. Os dados apontam que o eleitorado brasileiro permanece fortemente segmentado por regiões, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantendo a preferência no Norte e Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) consolida sua liderança no Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Desenvolvimento
No panorama nacional, Lula lidera com 39% das intenções de voto, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, que soma 33%. Os candidatos de terceira via – Ronaldo Caiado (PSD) com 5%, Renan Santos (Missão) com 4%, Romeu Zema (Novo) com 3% e Augusto Cury (Avante) com 2% – representam a pequena parcela que ainda não se decide. Votos brancos e nulos somam 6%, enquanto 4% dos entrevistados se declararam indecisos.
Em termos de evolução, a diferença entre Lula e Flávio tem se estreitado. Em junho, a margem era de 10 pontos (41% a 31%). No mês seguinte, caiu para oito pontos na segunda quinzena (40% a 32%). Atualmente, a distância reduziu para seis pontos, sinalizando uma leve diminuição na vantagem petista.
Os blocos regionais demonstram a polarização: no Nordeste, Lula domina com 53% contra 25% de Flávio. No Sul, o senador lidera com 38%, enquanto Lula tem 33%. No Sudeste, a diferença é mais estreita, com 36% a favor de Flávio e 33% para Lula. Em conjunto Norte/Centro-Oeste, Flávio mantém a liderança com 35% frente a 33% de Lula.
Para um eventual segundo turno, a projeção nacional indica 47% para Lula e 43% para Flávio, com 9% de votos brancos, nulos ou em nenhum som e 2% de indecisos. O desfecho dependerá fortemente do comportamento dos eleitores do Sudeste e da migração dos votos de candidatos de terceira via no Centro-Sul, além da manutenção dos percentuais de Lula no Norte e Nordeste.
Ao mesmo tempo, a avaliação do governo Lula tem se tornado mais crítica. A pesquisa mostra que 41% dos eleitores consideram a gestão atual ruim ou péssima, um aumento em relação aos 38% registrados na segunda quinzena de julho. Apenas 33% aplaudem o governo como ótimo ou bom, enquanto 25% o julgam regular. Em contraste, a aprovação de Lula como presidente permanece em 47%, enquanto a desaprovação atinge 50%, com 3% de não respostas. Em julho, a aprovação era de 49% e a desaprovação de 48%.
O levantamento, conduzido em 128 municípios com 2.058 entrevistas presenciais entre 18 e 19 de agosto de 2026, apresenta margem de erro máxima de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O trabalho foi registrado no TSE sob o código BR-04496/2026 e foi realizado para a Folha de S.Paulo e a TV Globo.
Conclusão
Os números indicam que, apesar da vantagem histórica de Lula nas regiões norte e nordeste, a corrida está se tornando mais equilibrada à medida que a margem de diferença diminui. O foco da campanha deverá girar em torno de conquistar o Sudeste e reter o apoio nas regiões que já favorecem o petista. Enquanto isso, a crescente insatisfação com a gestão do presidente pode se transformar em voto de protesto, especialmente em áreas onde a disputa já é acirrada. O cenário demonstra que a polarização regional, aliada a uma avaliação negativa crescente do governo, cria um ambiente de incerteza que só será resolvido nas próximas semanas de campanha e, em última análise, nas urnas.




