Copom corta Selic para 13,75% enquanto CNI pede mais flexibilização - Agita Recife

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Copom corta Selic para 13,75% enquanto CNI pede mais flexibilização

Redução da Selic e a posição da CNI

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, neste fim de semana, o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que agora se encontra em 13,75% ao ano. A medida, embora reafirme a intenção de controlar a inflação, foi recebida com críticas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que considera a postura do Copom excessivamente cautelosa.

Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou que a inflação acumulou 4,22% em 12 meses até agosto, sinalizando que o cenário inflacionário está se encaminhando para a meta de 3% ao ano. Segundo ele, a taxa Selic permanece 3,45 pontos percentuais acima da referência calculada pela Regra de Taylor, que aponta 10,3% como ideal. A diferença entre a taxa real de juros, próxima de 9%, e a taxa neutra estimada em torno de 5% sugere espaço para cortes adicionais sem comprometer a convergência inflacionária.

Impacto dos juros elevados no crédito e no endividamento

Em julho de 2026, a taxa média das operações com recursos livres atingiu 47,7% ao ano, com destaque para 60% ao ano entre pessoas físicas e 25,4% entre empresas. O aumento do custo do crédito tem pressionado a inadimplência, que atingiu 7,8% entre pessoas físicas e 4,2% entre jurídicas. Nas famílias, o endividamento chegou a 49,8% da renda, quase atingindo o recorde histórico, e o comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 28,9%.

Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, alerta que a manutenção de juros elevados pode levar a uma desaceleração maior da economia, pois afeta tanto o consumo das famílias quanto o investimento das empresas. “A taxa de juros em patamares elevados desestimula significativamente o investimento, e a economia acaba ficando estagnada”, afirmou.

Indústria em busca de crédito e margens em risco

Segundo a nova edição da Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, 56% das empresas prevê maior necessidade de financiamento para contas a pagar, 50% para manutenção de estoques e 49% para contas a receber nos próximos três meses. Cerca de 60% dessas empresas também esperam aumento das taxas cobradas. A pressão sobre as margens é real: 57% projeta redução da margem líquida, enquanto um terço antecipa aumento do endividamento bancário.

Apesar disso, a maioria das empresas (53%) planeja manter os preços inalterados para preservar a competitividade, enquanto 35% pretende reajustá-los para cima.

Desaceleração da atividade econômica

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. O consumo das famílias recuou 0,4% e a indústria de transformação ficou estagnada, enquanto a indústria extrativa avançou 3,4%. O PMI Industrial do Brasil também apontou deterioração das condições da indústria de transformação, caindo de 47,5 pontos em julho para 46,3 em agosto.

Para a CNI, a queda na demanda interna, sobretudo nos setores mais sensíveis ao custo do crédito, reforça a necessidade de continuidade da flexibilização monetária.

Mercado de trabalho e a demanda interna

Embora o mercado de trabalho mantenha níveis elevados de ocupação e renda, o consumo das famílias não tem aumentado proporcionalmente, recuando 0,4% no segundo trimestre. A CNI observa que a resistência do mercado de trabalho, isoladamente, não justifica a interrupção do ciclo de cortes da Selic, pois não há um quadro de excesso de demanda que justifique tal medida.

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