Capoeira: Reconhecimento, Inclusão e Continuidade do Ofício dos Mestres e Mestras - Agita Recife

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Capoeira: Reconhecimento, Inclusão e Continuidade do Ofício dos Mestres e Mestras

Com a revalidação do título de Patrimônio Cultural do Brasil em 11 de novembro de 2024, o Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira recebeu não apenas um novo nome, mas também um reforço institucional que destaca a presença feminina na transmissão desta manifestação afro‑brasileira. O reconhecimento, já registrado no Livro de Registro dos Saberes desde 21 de outubro de 2008, reflete a evolução da capoeira em meio a transformações sociais e culturais.

Um saber que passa de pessoa para pessoa

A oralidade é a espinha dorsal da capoeira. Enquanto a prática se desenrola em rodas, cantigas, toques de berimbau e histórias compartilhadas, o aprendizado acontece na observação e na participação. A memória coletiva, transmitida por gestos, olhares e narrativas, torna o corpo e a convivência instrumentos de ensino tão valiosos quanto a técnica.

O conhecimento dentro da roda

Na roda, a sinergia entre som e movimento cria um espaço de improvisação e ritual. O berimbau, junto com atabaque, pandeiro, agogô e reco‑reco, conduz o jogo, enquanto cantigas funcionam como memórias vivas que narram episódios, personagens e lições. O mestre ou a mestra, portanto, atua como mediador entre música, movimento e contexto cultural.

Ancestralidade e resistência

Originada a partir de raízes africanas, a capoeira resistiu a períodos de repressão, criminalização e marginalização, sobretudo após a abolição da escravidão e a inclusão de sua prática no Código Penal de 1890. A continuidade da manifestação, mesmo diante dessas adversidades, demonstra a força de gerações de capoeiristas que mantiveram viva a tradição. No século XX, as vertentes Angola e Regional consolidaram-se, mas a capoeira continua a evoluir, espalhando-se por mais de 150 países, conforme levantamento do Ministério da Cultura.

Patrimônio Cultural do Brasil

O Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira foi inscrito em 21 de outubro de 2008 como Patrimônio Cultural do Brasil, reconhecendo os mestres como detentores dos saberes tradicionais e responsáveis pela sua transmissão. Em 2014, a Roda de Capoeira recebeu o selo da UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, evidenciando a importância global desse espaço de convivência e aprendizado.

Mestres e Mestras

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em 11 de novembro de 2024, aprovou a revalidação do título e alterou oficialmente a denominação de “Ofício dos Mestres da Capoeira” para “Ofício dos Mestres e Mestras da Capoeira”. Essa mudança oficializa a contribuição das mulheres na preservação e evolução da prática. O processo de reavaliação considerou transformações ocorridas desde o registro inicial, reunindo dados de materiais, planos de salvaguarda e consultas aos detentores em todo o país.

As ações de salvaguarda recomendadas incluem a produção e preservação de acervos, pesquisas, mapeamentos e fortalecimento da participação dos detentores. No entanto, a essência da capoeira permanece no encontro presencial: quando um mestre ou mestra ensina um toque, explica uma cantiga ou conta a trajetória de quem veio antes, o conhecimento se renova em cada corpo, voz e experiência.

Com informações do Ministério da Cultura.

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