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Forró reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil

O som que ecoa nas festas de forró combina a sanfona com a zabumba e o toque do triângulo, criando uma atmosfera onde pares se movem ao ritmo que se alterna. Mas o forró vai além da música e da dança, incorporando modos de tocar, ensinar, celebrar e reunir pessoas, formando o conjunto de práticas que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu como Matrizes Tradicionais do Forró, um Patrimônio Cultural do Brasil.

Originadas nas práticas culturais do Nordeste, as matrizes se espalharam pelo país acompanhando a migração de músicos e comunidades, consolidando hoje uma comunidade nacional de cantores, compositores, instrumentistas, dançarinos, artesãos, produtores e organizadores de festas.

A palavra forró abrange música, gênero, dança, baile e espaço de festa. O registro adotou o conceito de Matrizes Tradicionais para englobar ritmos, danças, instrumentos e celebrações que compõem a cultura forrozeira.

Entre os ritmos reconhecidos estão baião, xote, xaxado, arrasta-pé, rojão, chamego e balanceio, cada um com suas particularidades de ritmo, execução e dança, mantendo a relação com suas origens.

Os instrumentos típicos incluem sanfona, zabumba, triângulo, pandeiro, rebeca, pífano e fole de oito baixos. A formação clássica de sanfona, zabumba e triângulo, conhecida como trio pé de serra ou trio gonzagueano, permanece como símbolo dessas expressões musicais.

O patrimônio não se limita aos sons. Ele abrange o conhecimento de como tocar e fabricar os instrumentos, as formas de ensinar música e dança, a composição de canções e a organização de festas, transmitidos por observação, convivência e oralidade entre gerações.

Salões comunitários, festas juninas, festivais e encontros de músicos continuam sendo espaços onde tocar, cantar e dançar reforçam a convivência, aprendizagem e vínculos entre os participantes.

Do Nordeste para diferentes regiões do país

As raízes das Matrizes Tradicionais do Forró estão ligadas à cultura sertaneja e a expressões musicais e coreográficas desenvolvidas no Nordeste. No século XX, a circulação de músicos e a migração de nordestinos levaram esses ritmos a outras regiões do Brasil.

Artistas como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro desempenharam papéis decisivos na difusão nacional a partir da metade do século XX. Gravações, apresentações e a circulação pela rádio ampliaram o contato de públicos diversos com as musicalidades nordestinas.

Apesar da expansão, as particularidades locais persistiram. Em diferentes estados, comunidades de forrozeiros criaram grupos, festivais e formas próprias de manter esses conhecimentos em circulação, refletindo a diversidade regional reconhecida pelo registro.

Construção coletiva

O reconhecimento das Matrizes Tradicionais do Forró surgiu de uma mobilização liderada pela própria comunidade forrozeira. Em 2011, a Associação Cultural Balaio Nordeste apresentou o pedido ao Iphan, após articulações entre músicos, grupos culturais, associações e fóruns ligados ao forró.

O processo reuniu pesquisas, documentação audiovisual, encontros, fóruns, seminários e escutas em diversas regiões. A participação dos detentores ajudou a delimitar o objeto do registro, que passou a abranger não apenas músicas, mas o conjunto de práticas que perpetua as matrizes tradicionais.

A noção de “matrizes” reconhece o caráter dinâmico da manifestação: as práticas tradicionais continuam sendo referência para músicos e forrozeiros contemporâneos, ao mesmo tempo em que sofrem transformações e reinvenções ao longo do tempo.

Patrimônio Cultural do Brasil

Em 9 de dezembro de 2021, após aprovação unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, as Matrizes Tradicionais do Forró foram inscritas no Livro de Registro das Formas de Expressão, obtendo reconhecimento de abrangência nacional.

O registro destaca o forró como uma expressão que articula ritmos e danças com instrumentos,

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