O início da estação e as expectativas climáticas
A primavera de 2026 iniciou na noite de terça-feira, 22, e permanece até 21 de dezembro, marcando a transição entre o período seco e chuvoso, sobretudo no Brasil Central. O Prognóstico Climático da Primavera de 2026 foi elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Com o avanço da estação, a umidade aumenta gradualmente, trazendo chuvas para áreas que estavam mais secas. O fluxo de umidade proveniente da Amazônia intensifica a formação de chuva no Centro-Oeste, Sudeste e em parte do centro‑sul da Região Norte.
Distribuição das chuvas e risco de eventos severos
Para o trimestre de outubro a dezembro, a previsão aponta os maiores acumulados de chuva no oeste e sul da Região Norte, em todo o Centro‑Oeste, na Região Sul e em partes do Sudeste. Os menores volumes são esperados no Nordeste, especialmente no leste e norte, e no extremo norte da Amazônia.
Os acumulados podem superar em até 200 mm a média histórica do trimestre em locais como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, sul e leste do Paraná, além de Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, centro‑sul de Minas Gerais e leste do Nordeste.
Por outro lado, a precipitação pode ficar abaixo da média em grande parte da Região Norte, Mato Grosso e na área agrícola do MATOPIBA, com déficits que chegam a 200 mm em Roraima, norte e leste do Amazonas, norte e oeste do Pará e Amapá.
Na Região Sul, a combinação de massas de ar térmicas distintas, frentes frias e áreas de baixa pressão pode gerar chuvas intensas, rajadas de vento, descargas atmosféricas e queda de granizo, favorecendo eventos de tempo severo como microexplosões e tornados.
Temperaturas acima da média e ondas de calor
As temperaturas para outubro, novembro e dezembro devem ficar acima da média em grande parte do país, com anomalias positivas de até 1 °C na Região Norte, partes do Nordeste, Centro‑Oeste e Sudeste. Essa elevação térmica pode favorecer ondas de calor e aumentar o desconforto térmico, especialmente quando combinada com ar quente e úmido durante a passagem de frentes frias.
No Rio Grande do Sul, a previsão indica temperaturas próximas da média nas regiões central e leste, enquanto o oeste e sul do estado devem registrar temperaturas abaixo da média.
El Niño e a influência na distribuição das chuvas
O prognóstico considera a forte probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño muito intenso durante o trimestre OND de 2026. Este fenômeno tende a reduzir as precipitações no Norte e Nordeste e a aumentar os volumes de chuva na Região Sul.
Além disso, a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) pode ser alterada, deslocando-se mais ao sul e favorecendo chuvas acima da média no sul do Centro‑Oeste e do Sudeste, enquanto as áreas mais ao norte dessas regiões podem registrar precipitação abaixo da média.
Conclusão
O panorama climático para a primavera de 2026 aponta para uma estação marcada por chuvas acima da média em grande parte do território nacional, temperaturas elevadas e a possibilidade de eventos meteorológicos severos, sobretudo na Região Sul. A forte probabilidade de El Niño pode intensificar essas tendências, exigindo atenção especial às áreas de déficit hídrico e aos riscos de inundação e incêndios florestais. Governos locais, setor agrícola e população em geral devem se preparar para enfrentar as mudanças climáticas que a estação promete trazer.




