Em um marco importante para a saúde ocular no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou a inclusão de uma nova técnica cirúrgica que permite tratar glaucoma e catarata simultaneamente. A medida, que visa reduzir a carga de procedimentos e acelerar a recuperação dos pacientes, foi oficializada pelo Ministério da Saúde.
O anúncio foi publicado no Diário Oficial da União em 17 de setembro, após parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em 21 de agosto. A proposta foi apresentada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) em conjunto com a comissão, consolidando a decisão de integrar a nova abordagem ao portfólio de tratamentos públicos.
O procedimento destina-se a pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto em estágio leve a moderado. Durante a intervenção, o cirurgião remove o cristalino afetado pela catarata e, na mesma sessão, realiza a intervenção no canal de drenagem do olho, seja por goniotomia excisional ou trabeculotomia transluminal. O Ministério da Saúde destaca que a técnica é menos invasiva, favorece uma recuperação mais rápida e diminui o risco de complicações.
A nova abordagem será incorporada ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do glaucoma, que prevê duas opções: a goniotomia excisional, realizada por uma pequena incisão na córnea, e a trabeculotomia transluminal, que emprega um microcateter ou fio cirúrgico no canal natural de drenagem. Ambas as técnicas representam avanços significativos em relação aos métodos tradicionais.
Atualmente, o tratamento inicial do glaucoma no SUS baseia-se em colírios que reduzem a pressão intraocular. Quando os medicamentos não alcançam o controle desejado ou a adesão ao tratamento se torna difícil, são indicados procedimentos a laser ou cirurgias. A nova técnica oferece uma alternativa mais eficiente e menos onerosa para esses casos.
Além dos benefícios clínicos, a incorporação pode gerar consideráveis economias para a rede pública. Segundo dados da Conitec, a adoção da goniotomia excisional pode resultar em economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e de R$ 93,2 milhões no quinto ano, totalizando R$ 276 milhões em cinco anos. Essa redução se dá em comparação à cirurgia que utiliza o iStent, um pequeno implante de drenagem.
Quando e onde a cirurgia estará disponível?
Embora a incorporação já tenha sido oficializada, o Ministério da Saúde ainda não divulgou data específica para o início das cirurgias nem indicou quais hospitais ou unidades da rede pública oferecerão o procedimento. A disponibilização dependerá da implementação prática da nova técnica e da inclusão definitiva no protocolo de tratamento.
O glaucoma, que afeta o nervo óptico e pode causar perda progressiva da visão, atinge até 3 % da população brasileira com mais de 40 anos. O glaucoma primário de ângulo aberto representa cerca de 60 % dos diagnósticos no país. A catarata, caracterizada pela perda de transparência do cristalino, afeta principalmente idosos. A combinação dos dois transtornos em uma única intervenção pode representar um avanço decisivo na qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Com a nova opção cirúrgica, o SUS demonstra seu compromisso em oferecer tratamentos mais eficazes e econômicos, alinhando avanços médicos à necessidade de otimização de recursos públicos. A expectativa é que, em breve, a população tenha acesso a essa tecnologia de ponta, reduzindo tanto a morbidade ocular quanto os custos associados ao cuidado de longo prazo.




