Agronegócio brasileiro registra aumento de recuperação judicial e pressões no crédito rural (segunda-feira, 28) - Agita Recife

Agenda de Shows

Eventos

Agronegócio brasileiro registra aumento de recuperação judicial e pressões no crédito rural (segunda-feira, 28)

Introdução

O setor agropecuário do Brasil está em alerta: em 2025 foram registrados 1.990 pedidos de recuperação judicial, um salto de 56,4 % em relação a 2024, marcando o maior número da série histórica. No primeiro trimestre de 2026, o número já superou em 21,9 % o registrado no mesmo período do ano anterior, sinalizando que o problema não é isolado a um ciclo sazonal, mas uma tendência crescente.

Paralelamente, o crédito rural enfrenta uma situação crítica. Um levantamento do BTG Pactual, baseado em dados do Banco Central, apontou que em julho de 2025 havia R$ 207,4 bilhões em operações desfavoráveis — atraso, inadimplência, prorrogação ou renegociação — representando 23,5 % de uma carteira nacional de R$ 881,6 bilhões.

Desenvolvimento

Na reunião do Conselho do Agronegócio (AC/Agro) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), realizada nesta segunda-feira (28), o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou que a crise não reside na capacidade produtiva, mas no custo de financiamento. “O juro que o produtor paga não se decide na lavoura. É o preço de um país que gasta mais do que arrecada e que cobra essa conta de quem está tentando produzir”, afirmou.

Melo Filho apontou que o agronegócio paulista, com PIB de R$ 657,6 bilhões em 2024, ocupa entre a quarta e quinta maior economia do país, representando 18,9 % do PIB estadual, 24 % do agronegócio brasileiro e 40 % das exportações do estado.

Segundo o secretário, a resiliência de São Paulo se deve à diversificação das cadeias produtivas. Entre janeiro e agosto de 2026, o estado vendeu US$ 17,79 bilhões em produtos agropecuários, ficando atrás apenas de Mato Grosso. Embora o valor bruto da produção de Mato Grosso em 2026 esteja previsto em R$ 199 bilhões, São Paulo registrou R$ 174,6 bilhões em 2025, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA/APTA).

O ex‑ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, defendeu uma atuação governamental integrada, que inclua logística, estrutura, renda rural, seguro, acordos comerciais, tecnologia e sustentabilidade.

Em 2025, o estado investiu R$ 1,4 bilhão em programas próprios de apoio ao setor. R$ 1,2 bilhão foram destinados ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), beneficiando cerca de 33 mil produtores; R$ 390 milhões foram aplicados na subvenção ao seguro rural, com 52 641 apólices; e R$ 180 milhões foram destinados ao programa Pró‑Trator.

Além disso, São Paulo reduziu a carga tributária de 17 cadeias do agronegócio, uma medida que contrasta com a política federal, que teria diminuído subvenções previstas no orçamento.

Diversificação

São Paulo abriga mais de 20 cadeias de agronegócio com movimentação superior a R$ 1 bilhão por ano. As principais incluem cana‑de‑açúcar (R$ 55,2 bilhões), carne bovina (R$ 22,7 bilhões), laranja (R$ 19,7 bilhões), frango (R$ 13,7 bilhões), café (R$ 9,6 bilhões) e soja (R$ 8,9 bilhões). Essa composição reduz a dependência de uma única atividade, funcionando como “seguro” do estado contra crises setoriais.

O secretário enfatizou que São Paulo concentra 32,7 % de toda a agroindústria brasileira, mesmo não sendo o maior produtor primário do país.

Políticas de apoio

Durante a reunião, Melo Filho comparou as políticas agrícolas dos governos federal e paulista. Ele acusou a União de ter deixado de repassar parte dos recursos já previstos para o seguro rural e de ter aumentado a tributação sobre insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos.

O secretário também citou a medida provisória sobre renegociação de dívidas rurais. Para ele, os critérios baseados em problemas climáticos ou de preços não contemplam a realidade de produtores paulistas, como na citricultura, onde o endividamento está mais ligado a questões sanitárias, como o greening.

Sobre a ACSP

A reunião aconteceu na Associação Comercial de São Paulo (

- Publicidade -

Últimas

- Publicidade -