Um relatório técnico divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) em setembro de 2026 alerta que o governo federal pode precisar bloquear cerca de R$ 35,7 bilhões em verbas discricionárias para cumprir o piso fiscal estabelecido em 2027.
O documento, intitulado Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF nº 116), compara o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, entregue ao Congresso no final de agosto, com as projeções da IFI. A principal divergência aparece no resultado primário: enquanto o PLOA projeta um superávit de R$ 18,6 bilhões, a IFI prevê um déficit de R$ 86,1 bilhões, gerando um descompasso de R$ 104,8 bilhões.
Divergência nos parâmetros e estimativa de gastos
A diferença, segundo a IFI, decorre de um otimismo maior nas projeções macroeconômicas do Executivo. O governo assume crescimento do PIB de 2,5%, inflação (IPCA) de 3,6% e avanço salarial de 10,1%, enquanto a IFI estima 1,8% de PIB, 4,0% de inflação e 7,3% de expansão salarial.
O relatório também destaca a rigidez das despesas obrigatórias, sobretudo o aumento dos precatórios, que se mantiveram em patamares elevados desde 2022, apesar de alterações legislativas posteriores que não conseguiram conter seu crescimento.
Além disso, a dotação destinada a sentenças judiciais no PLOA 2027 é inferior àquela prevista para 2026, fator que a IFI considera um risco adicional de insuficiência orçamentária.
Enquanto o Executivo conta com a continuidade de revisões de gastos para equilibrar as contas, a análise da IFI aponta que o cenário fiscal permanece restrito, exigindo ajustes adicionais ou a busca por fontes de receita alternativas.
Em suma, o fiscal 2027 pode revelar uma realidade muito mais desafiadora do que a proposta inicial, colocando em evidência a necessidade de uma gestão mais cautelosa e de medidas que garantam a sustentabilidade das finanças públicas.




