Empreendedoras buscam apoio ao crédito e participação política
Na última terça-feira (20), em Brasília (DF), o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura do Distrito Federal (CMEC‑DF) promoveu um encontro que reuniu lideranças empresariais para discutir o acesso ao crédito, a redução de barreiras ao empreendedorismo e a participação feminina nas decisões políticas. O evento faz parte da mobilização da Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas, lançada em São Paulo em 13 de outubro, que visa aproximar representantes do setor produtivo e do Legislativo para acompanhar propostas em tramitação no Congresso Nacional e defender medidas que contribuam para a autonomia econômica das mulheres.
Empresárias defendem maior participação política
A presidente nacional do CMEC, Ana Cláudia Badra Cotait, ressaltou que a aproximação entre empresárias e parlamentares é essencial para que as demandas do setor produtivo avancem no campo legislativo e resultem em ações efetivas. “Para a gente é muito importante essa rede, linkando o setor privado com o setor legislativo. Isso é extremamente importante para que andem os projetos de lei, para que as políticas públicas realmente sejam cobradas e feitas”, afirmou.
A presidente do CMEC Plano Piloto, Aline Castelo, destacou que a participação nesses espaços amplia a consciência sobre o papel das mulheres na sociedade e na construção de políticas públicas. “Esses eventos, não só esse como todos os eventos de que eu tenho participado com o CMEC, enquanto representante institucional de uma classe empresarial, têm sido transformadores, tanto para mim como pessoa e empresária, mas principalmente porque eu vejo, em cada evento, as mulheres tomando mais consciência, as empresárias entendendo como é importante que elas se envolvam com as políticas públicas, que elas entendam o que está acontecendo. A mulher é protagonista, as empresárias são protagonistas, e cada evento desse que acontece fortalece mais essa ideia”, disse.
Falta de crédito e burocracia dificultam negócios femininos
As dificuldades para acessar recursos financeiros e lidar com exigências burocráticas são obstáculos que podem comprometer o crescimento dos empreendimentos femininos. A vice‑presidente do CMEC Lago Sul, advogada tributarista Miriam Lavocat, chamou atenção para as condições desiguais enfrentadas pelas mulheres na hora de abrir e manter uma empresa. “Eu sou advogada tributarista e falo que empreender no Brasil é uma das grandes dificuldades que pode existir. E, se é difícil para os homens, é triplamente mais difícil para as mulheres. Existe uma dificuldade muito grande para a obtenção de crédito, para vencer a burocracia e, acima de tudo, para poder se manter e se estabilizar no mercado. Então, eventos que reúnem mulheres que podem, acima de tudo, tratar de políticas públicas para o empreendedorismo feminino são de extrema importância”, ressaltou.
“E, acima de tudo, é um alento, uma esperança para que todo o cenário econômico mude e fortaleça as mulheres empreendedoras”, acrescentou a advogada.
A agenda defendida pelo CMEC contempla diferentes etapas da trajetória empreendedora, desde o acesso a recursos para iniciar uma atividade até a criação de condições para manter e ampliar os negócios. A proposta é levar essas demandas ao debate público e buscar medidas que contribuam para a sustentabilidade das empresas lideradas por mulheres.
Carta‑compromisso amplia articulação institucional
Como parte da mobilização, o CMEC entregou à governadora do Distrito Federal, Celina Leão, uma carta‑compromisso para integrar a Rede Parlamentar Mista de Políticas Femininas. O documento também foi encaminhado a deputadas, senadoras e representantes do setor empresarial presentes no encontro.
A rede tem caráter suprapartidário e pretende fortalecer a cooperação entre lideranças empresariais e parlamentares de diferentes partidos. A estratégia inclui acompanhar projetos de lei, estimular o debate sobre as necessidades das empreendedoras e defender políticas públicas voltadas à autonomia econômica feminina.
No Distrito Federal, a iniciativa amplia o espaço de diálogo entre as representantes do empreendedorismo e as instituições públicas. A expectativa é que a articulação contribua para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelas empresárias e para transformar suas reivindicações em propostas capazes de favorecer o desenvolvimento e a continuidade dos negócios liderados por mulheres.



